Um movimento rápido de uma mão desenha-se no ar. O dedo esticado, rígido, pontiagudo, cheio de ossos, morto, aponta para mim e aproxima-se do meu peito, agora devagar. A cada momento que passa, a unha que acaba a horrível extremidade forma uma aguçada lâmina que se encosta, corta e trespassa pele e carne até sentir osso. É então que decide deliciar-se com a diversão vinda de dentro de mim. Com lentos movimentos, roça a desgraçada unha na superfície do meu osso. Cada estridente acto aumenta o meu desespero, mas eu... Eu não choro, apesar de querer. Isso aliviar-me-ia o sofrido pesadelo.
Hoje vivi isto. A mão, o dedo, a unha... Nenhum deles desaparece. Persistem na sua visita que cada vez mais frequente se torna. Quando desaparece fica apenas a solidão...
Pherreyra, o Segundo