Sinto-me violentamente impelido a agarrar numa caneta e num papel, mas a rasgante tristeza que me toca é esmagadora. As letras aparecem-me trocadas no papel, como se a sua ordem puramente não importasse. Ou então transvio-me num qualquer caminho da minha mente, ladeado por espinhos aguçados e com vontade de matar. A época santa que teima em me envolver na sua estranha espiritualidade é revoltante. O amor estonteante que tanto se fala é praticamente inexistente, ou pelo menos é igual aos outros dias do ano. E todo este artifÃcio estonteante é apenas argumento para a obrigação de demonstrar carinho e afecto a quem, por vezes, não gostamos.
De momento nem consigo elaborar expressões suficientemente revoltosas para o que sinto. E provavelmente é melhor assim!
Gustavo Pereira